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José Álvaro Morais
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A história do cinema é marcada por autores, realizadores, artistas que criam novos mundos quando fazem filmes, criando realidades paralelas que se tornam tão reais e verdadeiras como o nosso quotidiano.
Em Portugal um realizadores que mais se distinguiram pela criação de histórias e personagens foi José Álvaro Morais que com os seus filmes nos fez mergulhar em paisagens reais ou fictícias e sobretudo amar e odiar personagens - carismáticas, politicamente incorrectas, intensas, avassaladoras, destrutivas, inconformadas. Como nos melodramas do cinema clássico americano.
Mesmo nos seus documentários, o argumentista e realizador nunca se limitava a “retratar” uma determinada situação, mas ficcionava sempre uma viagem romanesca ao universo que documentava.
Esta característica marca profundamente a obra singular deste realizador e manifesta-se de forma explícita logo na sua primeira obra, que data de 1976: “Ma Femme Chamada Bicho”, um retrato da pintora Vieira da Silva feito a partir do olhar do seu marido, o pintor Arpad Szenes. Este surpreendente filme foi feito no pós-25 de Abril, quando José Álvaro Morais regressou a Portugal depois de cinco anos em Bruxelas, onde estudou realização no INSAS (Institut National des Arts du Spéctale et des Techniques de Diffusion), tendo sido aluno de grandes nomes do cinema europeu, como André Delvaux, Ghislain Cloquet e Mochel Fano, entre outros.
“Ma Femme Chamada Bicho” é um filme romântico sobre a relação entre os dois pintores, completamente diferente do tipo de documentários que se faziam na época - que eram muito militantes e desprezavam os sentimentos e os destinos individuais.
O mesmo olhar apaixonado, marca os outros três documentários que realizou :"Zéfiro" (1993), “A Margem Sul" (1994) e "25 Anos do Teatro da Cornucópia" (1999).
“Zéfiro”, produzido por Joaquim Pinto, é um “ documentário de criação”, que em nada se parece com um documentário tradicional: é um “roadmovie” que parte em Lisboa e viaja pela sensualidade do Sul - Alentejo, serra do Algarve-, com regresso à capital - onde se cruzam mitos portugueses, mediterrânicos e até a personagem de Banda Desenhada Corto Maltese (a famosa criação de Hugo Pratt). Neste delicioso filme participam os actores que fazem parte da “família” deste cineasta: Luís Miguel Cintra, Fernando Heitor, Paula Guedes, Inês de Medeiros, Marcello Urgeghe.
E é sobre eles e com eles que José Álvaro Morais realiza “25 Anos do Teatro da Cornucópia”. Este documentário testemunha o percurso da mais consagrada companhia de teatro portuguesa, dirigida por Luís Miguel Cintra.
A história do documentário em Portugal é marcada pelo trajecto criativo de José Álvaro Morais. O cineasta faleceu no dia 30 de Janeiro, em Lisboa.
O cinema português perdeu um dos seus melhores e mais originais realizadores.
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